
Olá!
Veja que coisa boa. Fiz dois posts em uma semana. E os sete dias ainda não acabaram. Engraçado isso ao passo que antes eu postava todo o dia aqui. Mas dias de mais tempo hão de vir.
Hoje nada de reflexão muito intensa. Venho lhe apresentar O Teatro Mágico. Uma “banda” que descobri quando estava de bobeira passeando pelo meu Last.FM. Simplesmente muito bom o som e as letras deles. E isso que ouvi só o CD 2º ato da Trupe.
Aqui lhe trago umas das letras que achei interessante.
A Metamorfose ou Os Insetos Interiores ou O Processo
Composição: Fernando Anitelli
Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro…caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
Abaixo o conteudo do CD 2º Ato e o link pra Download.
Se quiser outras músicas deles pra download, me peça e eu posto ou passo.
O Teatro Mágico – 2º Ato

Músicas:
- Amadurecência
A poesia prevalece!!!
O primeiro senso é a fuga.
Bom…
Na verdade é o medo.
Daí então a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude
uma alteridade disfarçada…
Inquilina de todos nossos riscos…
A juventude plena e sem planos… se esvai
O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus, com muito mais cuidado.
Muito mais atenção!
E a tensão que parecia não passar,
“O ser vil que passou pra servir…
Pra discernir…”
Pra pontuar o tom.
Movimento, som
Toda terra que devo doar!
Todo voto que devo parir
Não dever ao devir
Não deixar escoar a dor!
Nunca deixar de ouvir…
com outros olhos!
- O Mérito e o Monstro
O metrô parou
O metro aumentou
Tenho medo de termômetro
Tenho medo de altura
Tenho altura de um metro e tanto
Me mato pra não morrer
Minha condição, minha condução
Meu minuto de silêncio
Meus minutos mal somados
Sadomasoquismo são
Meu trabalho mais que forçado
Morrendo comigo na mão
[Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com aquilo que fomos
E aquilo que somos nós]
- Cidadão de Papelão
O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, nem voz
Nem terno, nem tampouco ternura
À margem de toda rua, sem identificação, sei não
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
De pé na cova, sem vocação, sem convicção
À margem de toda candura
À margem de toda candura
Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura
Um cara, um papo, um sopapo, um papelão
O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, à sós
Nem farda, sem tampouco fartura
Sem papel, sem assinatura
Se reciclando vai, se vai
À margem de toda candura
À margem de toda candura
Não habita, se habitua
Não habita, se habitua
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
- Pena
O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Um sorriso por ingresso
Falta assunto, falta acesso
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é a cédula mãe solteira
O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Acordes em oferta, cordel em promoção
A Prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação
E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A Luz acesa
Lá se dorme um sol em mim menor
[Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior]
O palhaço pena quando cai o pano
E o pano cai
A porcentagem e o verso
A rifa, a tarifa e refrão
Talento provado em papel moeda
Poesia metamorfoseada em cifrão
O palhaço pena quando cai o pano
E o pano cai
Meu museu em obras, obras em leilão
Atalhos, retalhos, sobras
A matemática da arte em papel de pão
E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A luz acesa
Já se abre um sol em mim maior
[Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior]
- Opus Erectus (Allegro ma nem tanto)
- Sina Nossa
Mia Senhora,
És de lua e beleza,
És um pranto do avesso,
És um anjo in verso,
Em presença e peso,
Atrevo-me e atravesso
Pra perto do peito teu
Teu sagrado e tua besteira,
Teu cuidado e tua maneira de discordar da
dor,
De descobrir abrigo entre tanto amor,
Entretanto a dúvida,
A musica que casou,
Um certo surto que não veio
Há uma alma em mim,
Há uma calma que não condiz
Com a nossa pressa
Com o resta que nos resta
Lamentavelmente eu sou assim
Um tanto disperso
As vezes desapareço
Pois depois recomeço
Mas antes me esqueço
Nossa sina é se ensinar
A sina nossa é.
- Si Atromiso
- Criado-Mudo
Eu acho que
Tenho certeza daquilo que eu quero agora
Daquilo que mando embora,
Daquilo que me demora
Eu acho que
Tenho certeza daquilo que me conforma
Daquilo que quero entender
E não acomodar com o que incomoda
Não acomodar com o que incomoda
E quando eu vou
É quando eu acho que
Onde é que eu tô
É pouco e tanto faz
Seja o que for,
Seja o que surge e some
Seja o que consome mais
Seja o que consome mas
Faz
E a historia que
Nem passou por nós
Direito ainda,
Pr’onde é que foi?
- Sonho de Uma Flauta
Nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz
Nem todo pedaço de pedra
Se parece com tijolo ou com pedra de giz
Avião parece passarinho que não sabe bater asa
Passarinho voando longe parece borboleta que fugiu de casa
Borboleta parece flor que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente pois somos semente do que ainda virá
A gente parece formiga lá de cima do avião
O céu parece um chão de areia
Parece descanso pra minha oração
A nuvem parece fumaça tem gente que acha que ela é algodão
Algodão às vezes é doce mas, às vezes, é doce não
Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar
Ah! E o mundo é perfeito!?!
E o mundo é perfeito!?!
E o mundo é perfeito.
Eu não pareço meu pai, nem pareço com meu irmão
Sei que toda mãe é santa, sei que incerteza traz inspiração
Tem beijo que parece mordida,
tem mordida que parece carinho
Tem carinho que parece briga,
tem briga que aparece pra trazer sorriso
Tem sorriso que parece choro,
tem choro que é pura alegria
Tem dia que parece noite
e a tristeza parece poesia
Tem motivo pra viver de novo,
tem o novo que quer ter motivo
Tem sede que morre no seio,
nota que fermata quando desafino
Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais
Querer saber demais
- (!)
- Eu Não Sou Chico Mas Quero Tentar
Eu não vou louvar valores,
Dos nossos amores as dores eu não vou contar,
O peito trajado de dores
A boca tragando rancores
E a dúvida nossa era onde chegar.
Brincando de ser e estar apenas,
Eu não sou Chico mas quero tentar
Mais cenas, dezenas, centenas, sentadas, safadas,
saradas, sanadas, sapatas, perdidas, famintas, gigantes,
pequenas
Eu não vou louvar rancores
Dos nossos amores as cores eu não vou pintar,
O peito trajado de flores
A boca tragando sabores
E a dúvida não será onde chegar.
Brincando de ser e estar apenas,
Eu não sou Chico mas quero tentar
Mais cenas, dezenas, centenas, sentadas, safadas,
saradas, sanadas, sapatas, perdidas, famintas, gigantes,
pequenas
As nossas condutas tão putas não valem a pena
Que pena, eh, que pena
As nossas condutas confusas nos tiram de cena, ah…
Que pena, eh, que pena
As nossas condutas tão putas não valem a pena
Que pena, eh, que pena
As nossas condutas confusas nos tiram de cena, ah…
Que pena, eh, que pena
Vou, vou engarrafar essa dor,
Vou engarrafar a saudade
Vou me embreagar de tristeza
Bendizendo ela vira beleza,
Gentileza gera gentileza….
Vou, vou engarrafar essa dor,
Vou engarrafar a saudade
Vou me embreagar de tristeza
Bendizendo ela vira beleza,
Gentileza gera gentileza….
A herança da escola dos dias
desde ave marias, presságios e preces
Ao jeito primeiro e primário de abrir as gavetas
De achar nova nomenclatura,
de achar um coelho na lua
De reescrever tuas letras,
de se esconder entre linhas
De se apagar entre nós.
Se apagar entre nós, se apagar entre nós
Se apagar, se apagar….
Se apagar…pa…pa…
- #@s!@
- Alguma Coisa
Alguma coisa acontece em mim
Quando a menina passa
- Abaçaiado
Na mitologia tupi, abaçaí é o nome de um espírito maligno
que se apossa de um índio deixando-o enfurecido,
logo quem está enfurecido, ta abaçaiado!
Abençoado, meu senhor
Donde vêm as asas do bicho voador?
Quem sopra junta as casas e traz sombra no calor?
Anubliado, clareou
Chão barreado não esconde a cor
Das lembranças que eu trago meu perdão e meu rancor
Alumiada estação
Onde as meninas brincando no portão
Tem horas que são senhoras, têm horas, que horas são?
E o que resta é sem sentido
Fico perdido, sem direção
Fico danado e nado o rio São Francisco
Buscando remanso pro meu coração
Abaçaiadô, é assim que eu tô
Abraçando a dor, é assim que eu vou
Abaçaiadô
Abaçaiado se irritou
Do outro lado fica quem não atravessou
Se hoje abaçaiado canta
É porque ontem já chorou
Alegriado acertou
Que o culpado é o mesmo que inocentou
Somos beijos de partida
e abraço de quem chegou
E o que resta é sem sentido
Fico perdido, sem direção
Fico danado e nado o que for preciso
Em busca de um porto pro meu coração
Abaçaiadô, é assim que eu tô
Abraçando a dor, é assim que eu vou
Abaçaiadô.
- Xanéu nº5
A minha TV não se conteve, atrevida,
passou a ter vida olhando pra mim
Assistindo a todos os meus segredos,
minhas parcerias, dúvidas, medos
Minha tv não obedece
Não quer mais passar novela, sonha um dia
em ser janela, não quer mais ficar no ar
Não quer papo com a antena, nem saber
se vale a pena ver de novo tudo que já vi…vi
A minha TV não se esquece nem do preço,
nem da prece que faço pra mesma funcionar
Me disse que se rende à internet, em suma,
não se submete a nada pra me informar
Não quis mais saber de festa,
não pensou em ser honesta funcionando quando precisei
A noticia que esperava consegui na madrugada num site
flickr-blog-fotolog que acessei
A minha TV tá louca, me mandou calar a boca
e não tirar a bunda do sofá
Mas eu sou facinho de marré-de-si, se a maré subir,
eu vou me levantar
Não quero saber se acabo
nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi
Triste fico seriado, um bocado magoado
sem saber o que será de mim
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Enquanto pessoas perguntam porque,
outras pessoas perguntam porque não
Até porque não acredito no que é dito,
no que é visto,
Ter acesso é poder e o poder é a informação,
Qualquer palavra satisfaz a garota, o rapaz
E paz, quem traz, tanto faz?
O valor é temporário, o amor imaginário,
a festa e o perjúrio
O minuto de silencio
é o minuto reservado de murmúrio,
de anestesia
O sistema é nervoso e te acalma
com a programação do dia
Com a narrativa
A vida ingrata de quem acha que é noticia,
de quem acha que é momento,
Na tua tela,
Quer ensinar fazer comida uma nação
que não tem ovo na panela
Que não tem gesto,
Quem tem medo assimila
toda forma de expressão como protesto!
Num passado remoto perdi meu controle
Num passado remoto perdi meu controle
Era a vida em preto-e-branco.
Quase nunca colorida, reprisando coisas que não fiz….
Finalmente se acabando feito longa, feito curta,
que termina com final feliz
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Eu não sei se paper-view,
ou se quem viu tudo fui eu
Eu não sei se paper-view,
ou se quem viu tudo fui eu
- Os Insetos Interiores
a futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos.
Nocivos.
Poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia
o veneno se refugia no espelho do armário – lembrou um deles.
o ninho deve estar infectado! – lembrou outro.
Antes do sono: o beijo de boa noite.
Antes da insônia: a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: a família.
São soníferos…
Chagas sem curas.
Não reproduzem. são inférteis, infiéis, infertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas.
cortam os troncos
Urinam nos rios
E na soma dos desagravos, greves e desapegos,
esquecem-se de si.
Pontuam-se.
A cria que se crie!
A dona que se dane!
Os insetos interiores proliferam-se assim… na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estomago
a sensação de… ? O que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformado parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada que romper
com as correntes de preguiça e mal dizer
Silenciam-se no holocausto da subserviência,
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim…
Descompromissados com o próprio rumo,
desprovidos de caráter e coragem
desatentos ao próprio tesouro…
Caem.
Desacordam todos os dias
não mensuram suas perdas e imposturas!
Não almejam.
Não alma.
Já não mais amor.
Assim são:
Os insetos interiores
- A Primeira Semana
Antes que o tempo, a clave de fá, dós e si lá sóis
Antes da noite, uma tarde pra cada um de nós
Antes do barco, a chuva
Antes da roda, o frio
Antes do vinho, a uva
A fruta que não caiu
Fez dessa terra um cenário
Pras peças que nos pregaram
Fez bico de pena e diário
Pra escrevermos a regra e a exceção
Criou o perdão e o pecado
Criou a dor e o prazer
Criamos o certo e o errado
E o orgulho pra nos esconder
Do que prevalece em nós
Exílios calados, quimeras que exalamos sós
E tudo que eu criar pra mim
vai me abraçar de novo na semana que vem
E tudo que eu criar pra mim
vai me abraçar de novo
Vai me negar também semana que vem
Antes que o tempo, a clave, sustenidos e bemóis
Antes do inteiro, a metade
Uma outra parte de nós
Antes do vôo, o tombo
Um “uta” pra não chorar
Antes tarde do que nunca, pra nunca mais demorar
E o que prevalece em nós…..
- F. Chopin (Opus 64 C#m)
- …
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Forte Abraço pra você. E muita boa música!